AFINAL O AMOR EXISTE MESMO! – Part. II

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No meu artigo anterior, escrevi sobre o amor. Aquele que nos faz suspirar! Sim, esse mesmo… Aquele amor que nos faz sentir calor e sentir frio, aquele amor que nos despe a alma e nos sabota a mente. Aquele amor que nos transforma em super-heróis ou em supervilões… Aquele amor que nos traz a força vulcânica para enfrentar tudo e todos… Aquele amor que nos rouba a razão e nos devolve um aperto no peito.

Já é tarde, a noite é daquelas chuvosas, a lareira está em brasas, quase em cinzas… A garrafa de vinho que me faz companhia (tinto alentejano, o meu preferido) está quase no fim… Tenho aquela vontade, quase louca, de devorar um chocolate (mas lembro-me de este ano é que é! Vou voltar ao peso que tinha aos 25) e, alguns meses depois de ter escrito a primeira parte deste artigo, aqui está a segunda, aquela que disse ‘que seria para breve’ (pensava eu!).

Durante todo este tempo, em que procrastinei muito, observo uma das minhas partes a sabotar a escrita destas palavras, que nada demais guardam, a não ser coisas minhas, banais, rotinas de uma mulher que é forte, e que agora encontrou espaço para se vulnerabilizar, e dar atenção a esse lugar criado pela privação de autocuidado e de autossustentação.

E, depois de mais um processo de transformação, dou por mim, a venerar o pedaço da minha essência que despertou para o amor… Aquele amor sensível, aquele amor puro, aquele amor que te deixa dizer que não aos outros, e sim a ti, sem culpa e com uma sensação elevada de estima e de valor. Aquele amor que te devolve a sensação de fragilidade, ao mesmo tempo que te empurra para a zona de desconforto e te resgata da ilusão de que tens tudo sob controlo.

Para mim, esta sensação de fragilidade, acrescentou mais à minha bagagem emocional. Por momentos (e foram muitos), senti que me podia estar a expor-me demasiado, mas depois compreendi, que estava apenas a partilhar o que sinto, de acordo com a minha experiência. E é tão simples e natural, que acaba por ser inspirador e mágico, dadas as parecenças que depois encontro no discurso de quem se cruza comigo, e que tem a coragem de reconhecer que é semelhante a mim na sua existência.

Quando comunico, a minha opinião sobre a vida e sobre aquilo que me acontece, tenho uma intenção clara e especifica com essa partilha. Pretendo a busca da igualdade no outro, a procura da envolvência, o desejo de ligação, o reconhecimento e correspondência, a identificação de pedaços iguais ou semelhantes, que me devolvam a sensação de unicidade e conexão.

E por conexão, entenda-se, a vontade de aceitar e de me ligar aos indivíduos como seres humanos que cometem erros, que necessitam de evoluir e ao mesmo tempo que precisam de ser aceites e reconhecidos como válidos na sociedade em que se inserem.

Eu sinto-me completa na relação que tenho comigo mesma, e sei que sou autossuficiente. Deliberadamente escolho relacionar-me e estar em conexão com o grupo, com as pessoas, com a família, com quem amo, com aqueles que me inspiram e com quem sabe muito mais que eu.

É engraçado que das imensas vezes que acrescentei palavras a este texto, e depois o deixei inacabado, senti que não sabia bem o que escrever… Mesmo pensando que me conheço de forma profunda, sinto que é necessária uma coragem reforçada para entrar em contacto com a minha intimidade e escrevê-la. Simplesmente ir anotando, o que o meu coração descreve, sem me ocupar com pensamentos, sobre quem irá ler ou sobre o qual será a interpretação de quem lê. E quando acedo a esta coragem, vem a confirmação de que nada tem mais valor do que essa minha verdade genuína, seja ela escrita de que forma for.

Observo hoje, o meu ‘eu’ passado e mais jovem e olho para ele com um carinho quase maternal, consigo senti-lo e honra-lo com os meus pensamentos e memórias de um tempo que deixa saudade. Olho para mim agora, e sei que a experiência e ligação pessoal que tenho comigo, me oferece uma sábia serenidade, que me permite amar-me, proteger-me e respeitar-me. Cuido de mim, das minhas necessidades e dos meus limites sempre em primeiro lugar. Assim, posso organizar-me internamente, e saber se tenho espaço disponível para que outras coisas levem a minha atenção, sem me desequilibrar e sem me esquecer das prioridades que tenho em cada momento.

Com esta consciência de mim, sinto uma liberdade deliciosa. Nesta viagem de descoberta interna, explorei padrões, hábitos, pensamentos e comportamentos. Consigo entender agora, tantos dos esquemas e das estratégias que me guiavam, consigo assumir a responsabilidade pelos meus resultados e sinto que tenho controlo sobre o que acontece de dentro para fora. Não há lugar para nenhum perfil de vitimização, nem de queixume, o que pode às vezes ser assustador, e na mesma medida, cria possibilidade e escolha.

A minha vida vai ser perfeita de agora em diante? Não, claro que não. Quanto mais me conheço, mais abraço a minha imperfeição. Só sei que minha vida agora é muito mais leve, mais sublime, mais descontraída, mais alinhada com as leis do universo, as leis do dar e do receber, do caos e da ordem, da noite e do dia, da lua e do sol, da sombra e da luz. Percebi que tudo tem um tempo certo para acontecer e que o que chega até mim, tem um propósito. Seja qual for a interpretação que eu faça do que me acontece, posso sempre usar essas experiências, pessoas ou eventos a meu favor.

Se há algo que eu aprendi e que vou trazer comigo enquanto viver, é que a verdadeira felicidade vem do coração, do silêncio da mente e de fazermos as escolhas certas. O real desafio não é, ser a mais forte ou a mais destemida, mas sim, deixar-me guiar sempre pela minha verdade e ser fiel à minha essência.

Grata por teres lido este texto, e se ressoar em ti, comenta e partilha comigo como tem sido a tua experiência de amor próprio.

Se sentires, lê a primeira parte do artigo, aqui: AFINAL O AMOR EXISTE MESMO! – Part. I

Liliana Ferreira Dias

PNL coach

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